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sábado, 30 de outubro de 2010

TV BANDEIRANTES – A MAIOR DERROTADA NOS DEBATES POLÍTICOS




Com o debate presidencial de ontem na TV Globo, encerrou-se esse modelo arcaico, desinteressante e sem nenhuma criatividade adotado pelas nossas grandes redes de televisão. Propondo discussões entre os dois candidatos que terão a responsabilidade e dirigir o país nos próximos quatro anos, os dirigentes de nossas emissoras se comprometeram com regras impostas e definidas pelos marqueteiros dos candidatos, sem nunca vislumbrarem o interesse público.

O apego exclusivo ao que é mais vantajoso está claro. A TV Globo quer audiência e o respaldo de ter participado para não pagar caro, como já pagou, pela omissão que teve durante o movimento das Diretas Já. Isso sem contar com a patacoada que quer esquecer da edição do debate de Lula versus Collor, e do escândalo e da impostura com a manipulação do resultado das pesquisas contra Leonel Brizola.

A Record quer sair dos cultos religiosos e das cobranças de dízimos para se apresentar, temporariamente, como uma rede de televisão. Tenta passar para o telespectador que produz um jornalismo atual e descompromissado e não o de uma igreja eletrônica arrecadadora de fundos, que na realidade é.

O SBT que nem participou do segundo turno também tem seu interesse vivo nesse episódio – não se comprometer com nada – com a orientação de um octogenário, que já foi o maior comunicador da América Latina e um dos maiores do mundo, a emissora de Silvio Santos acredita que não participar é sempre menos perigoso do que empenhar a sua reputação de omisso.

No caso da Rede TV e da TV Bandeirantes, acredito que as duas merecem um capítulo a parte. Além dos mesmos defeitos das outras três, elas apresentam agravantes que merecem ser ressaltados e que serão esmiuçados. Mas só para registro, o resultado dos debates não alterou em quase nada a realidade: Globo em primeiro lugar, Record em segundo, SBT participando ou não em terceiro, Rede TV em quarto e Bandeirantes em quinto lugar de audiência.

Reconheço apenas uma qualidade: A Rede TV foi a mais esperta de todas e a que mais faturou comercial e politicamente com os debates, principalmente em relação a Bandeirantes.

A Rede TV com apenas 10 anos de existência e com todos os problemas que enfrenta, principalmente decorrentes do fim do 0900, única receita financeira de seus acionistas que poderia minimizar os déficits orçamentários da empresa, acabou dando uma lição de profissionalismo à Rede Bandeirantes de Televisão. Não que isso mereça destaque até porque a Bandeirantes é tão incompetente que vencê-la, em qualquer situação, não é mérito para ninguém e sim obrigação.

Os profissionais da Rede TV, liderados pelos dois maiores dirigentes da emissora Amilcare Dallevo e Marcelo Carvalho, que se caracterizaram na televisão brasileira por se casarem com suas principais apresentadoras, acabaram marcando o debate político do segundo turno para domingo, 17 de outubro. Data muito mais suscetível de satisfazer ao telespectador do que a marcada pela Bandeirates, no dia 10 de outubro, no meio de um dos maiores feriados prolongados do ano.

Resultado a Bandeirantes conseguiu ficar em quinto lugar na disputa pela audiência, perdendo para Globo, SBT, Record e a própria Rede TV. O debate da Band foi mais lido do que assistido. E não foi a primeira vez. O dia 5 de agosto foi reservado pela Bandeirantes para realizar o debate do primeiro turno. No mesmo dia e horário o São Paulo Futebol Clube disputava um jogo decisivo para final da Taça Libertadores da América, contra o Internacional de Porto Alegre, no Morumbi, a poucos metros da sede da emissora.

A TV Globo que transmitiu o jogo marcou 33 pontos de audiência, contra apenas 3 do debate político da Band que novamente ficou em quinto lugar na preferência dos telespectadores. A Bandeirantes quer, por qualquer custo, ter o pífio rótulo de ser a primeira emissora a realizar debates políticos. Com essa máxima, não importa nenhuma estratégia de programação para garantir, simultaneamente, a atração e a audiência, simples e básico conceito de qualquer emissora.

Deste modo, a Bandeirantes – a primeira entre as últimas – conseguiu marcar dois recordes simultaneamente: realizou, novamente, o primeiro debate das eleições presidenciais, agora no segundo turno, e também o segundo debate, novamente com o menor índice de audiência.

Nos dois casos a Bandeirantes errou por pura falta de competência. A tabela do jogo da Libertadores havia sido divulgada em novembro de 2009 e confirmada em maio deste ano pela Confederação Sul-Americana de Futebol, três meses antes do primeiro debate.

Quando ao segundo encontro presidencial realizado no dia 10 de outubro, sem comentários. A inocência que perdoe a Band e a Padroeira que a tenha em suas mãos, mas é muita incompetência marcar um debate no dia 10 de outubro, no meio do feriado prolongado em comemoração aos dias da criança e de Nossa Senhora Aparecida.

Sem nenhuma tradição no jornalismo brasileiro – pelo curto tempo de existência e também pelo enorme desinteresse neste tema – a Rede TV conseguiu muito mais audiência que a Bandeirantes transmitindo o debate no dia 17 de outubro.

A Rede TV alterou a sua grade de domingo e programou o debate, estrategicamente, entre as duas partes do Pânico na TV – um programa trash, de humor duvidoso, mas líder de audiência na emissora. Além de atrair mais telespectadores do que a Band conseguiu mais repercussão também nos sites no próprio domingo e nos jornais na segunda-feira. A Bandeirantes ficou em quinto lugar novamente.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O debate da TV Bandeirantes foi secreto


A Rede Bandeirantes ficou dentro de seus patamares clássicos. Não chegou a 3 pontos de média na audiência do debate político com os presidenciáveis, duas semanas atrás. O índice baixíssimo só não esteve pior porque a TV do Morumbi foi salva por emissoras como a moribunda Cultura, que insiste em manter uma agonizante programação no ar e registrou no mesmo período menos de 1 ponto no Ibope.

Outro aspecto que contribuiu para minimizar o fracasso de público da Bandeirantes foi a internet, que fez explodir no ranking internacional do Twitter as galhofadas do veterano candidato Plínio de Arruda Sampaio contra seus concorrentes.

Abrir os principais jornais, no dia seguinte, e ler o resumo do debate foi o consolo dos Saad, família midiática que controla a Rede Bandeirantes, e de seus quase 20 vice-presidentes (aliás, número de profissionais superior ao de repórteres da emissora). Mas, com certeza, o que os animou mesmo foi acessar a internet e ver a repercussão da zombaria de Sampaio, chamando Dilma Roussef de doutora, José Serra de hipocondríaco e Marina Silva de eco-capitalista.

Como esses debates são organizados pela cúpula executiva da emissora e pelos marqueteiros dos partidos, eles pensam em tudo, menos no interesse público. Primeiro se preocupam com as regras do debate e com o material que será editado e exibido pela TV organizadora em seus noticiários, após o encontro. Depois, emissora e partidos vislumbram alcançar prestígio em função da performance dos candidatos. Sim, estava tudo certo, de acordo com o travado manual de regras anti-debate que todos trazem debaixo do braço. Porém, não contavam com a participação de Plínio Sampaio e com sua folgança, o único que teve visibilidade nesse encontro quase secreto, transmitido a portas fechadas, num circuito interno de televisão.

Não adianta justificarem a baixa audiência com a participação de um público qualificado e formador de opinião. Isso é tese de sociólogo ou de professor de jornalismo de muita teoria e pouca prática. A verdade é que para atender interesses dos candidatos e de seus partidos, marcaram a data errada para o debate.

O erro básico foi a falta de um - apenas um - jornalista na organização do debate. O encontro dos candidatos ocorreu no dia 5 de agosto. A data foi definida entre as partes com mais de dois meses de antecedência, entre final de maio e início de junho deste ano. Em novembro de 2009, no entanto, oito meses antes, executivos de televisão e dirigentes esportivos definiram a tabela dos jogos da Taça Libertadores da América para 2010, em Assunção, no Paraguai. E foi fixada para o mesmo dia 5 de agosto – o dia do debate - a partida de semifinal do torneio.

O que aconteceu com o presidente e os 20 vices no Morumbi? Um apagão de memória? A Bandeirantes, que sempre abusou do slogan “a emissora dos esportes”, talvez não tenha recebido a tabela da Libertadores. Ou, na confusão com tanta gente se acotovelando num mesmo andar, deixou o papel ir embora pelo ralo. Não consultou também nenhum de seus profissionais do setor de esportes antes de marcar o debate. Claro: tudo isso é impossível de acontecer numa emissora profissional. Mas na Bandeirantes acontece. O pior é que a semifinal do campeonato foi entre dois clubes brasileiros (São Paulo e Internacional) no Morumbi, atravancando até mesmo o trânsito de presidenciáveis e seus “aspones” a caminho dos estúdios da emissora.

Nada explica a pisada de bola. A ignorância da Bandeirantes só pode ser justificada pela sua arrogância. Tentar manter, a qualquer custo, o título de primeira emissora a iniciar os debates televisivos, além de insolente e pretensioso, é um pífio rótulo. Bastaram 3 pontos de Ibope para transformar o ineditismo em vexame. Na linguagem jornalística, a ânsia do “furo” virou uma humilhante “barriga”. Houve apenas uma vantagem para a Bandeirantes: ninguém viu.

O erro não ocorreu em novembro de 2009 e nem pode ser creditado aos velhinhos dirigentes da Confederação Sul-Americana de Futebol. Veio, claro, do amontoado de executivos que se aglomera na sede da emissora na Rua Radiantes, no bairro do Morumbi, a poucos metros do estádio do São Paulo, onde ocorreu o jogo do dia 5 de agosto. Desde a reunião de 20 de maio deste ano, a numerosa cúpula da Bandeirantes e os marqueteiros políticos já sabiam: a semifinal do torneio sul-americano seria no dia 5 de agosto, ao lado da TV Bandeirantes.

O Ibope do debate político deve ter incomodado os candidatos. Se prepararam por mais de uma semana, enfrentaram sabatinas das equipes e memorizaram números gigantescos. As mulheres, além do cursinho rápido, convocaram os melhores cabeleireiros de plantão. E para nada. A audiência ficou no mesmo nível de um dos ícones da emissora: o “Busão do Brasil”. O resultado certamente comprova a tese de que a ignorância só perde para a prepotência. Deu nisso: dia 5 de agosto, a Rede Globo marcou 33 pontos de audiência na transmissão de São Paulo x Internacional, contra menos de 3 pontos da Bandeirantes, com a exibição do debate político em sua rede de televisão.

Ainda que os Saad e seu batalhão de executivos tenham buscado ilusório consolo no uso correto que Plínio Sampaio fez do verbo galhofar, o fenômeno está restrito a internet. Na TV, nada ainda começou. A batalha eleitoral de verdade tem início nesta terça-feira, dia 17, com o horário político gratuito. Agora, sim: com certeza, os candidatos estarão muito mais expostos do que no encontro secreto da Bandeirantes.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

TV Globo, o MST das Comunicações

Isso o “Jornal Nacional” não deu: invadiram uma gleba de 12 mil metros quadrados no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, uma das regiões onde o terreno é dos mais caros do país.

Avaliado em 12 milhões de reais, o cobiçado pedaço de chão está localizado na Avenida Água Espraiada, esquina com a Avenida Dr. Chucri Zaidan, numa região que sofreu a mais radical intervenção urbana da cidade nos últimos anos, transformando-se num grandioso pólo de desenvolvimento.

Desta vez, os invasores não pertencem ao Movimento dos Sem Terra – MST. Neste caso, os posseiros ou grileiros - como eram chamados no passado aqueles que se apropriavam de terra alheia - são integrantes da família Marinho. A família é dona de um grande conglomerado de mídia no Brasil, que inclui, entre seus empreendimentos, a Rede Globo de Televisão, uma das cinco maiores empresas de comunicação do mundo e a maior da América Latina.

Os invasores (a seguir denominados MST da G, ou seja MST da Globo) foram mais longe. Avançaram para a rua. Conseguiram, antes do início de uma edificação no local, onde era uma praça pública, mudar o nome da Avenida Água Espraiada para a do patriarca da família, o “companheiro jornalista” Roberto Marinho. E nesta esquina começaram a erguer um prédio, que já está com fundações e subindo pavimentos.

Há dez anos, depois que abandonou a pocilga que ocupava na Praça Marechal Deodoro, no centro, e construiu sua sede paulistana na Avenida Dr. Chucri Zaidan, a Rede Globo de Televisão vinha limpando e mantendo a praça pública invadida, cercada como se fosse propriedade particular, com acesso apenas para seus funcionários.

TV Globo, o MST da G

Incansável e utilizando como slogan o principal objetivo da plataforma política do MST, que é “lutar pela terra”, o MST da G pressionou politicamente, forçou e conseguiu do Governo de São Paulo a doação da área para construção de uma escola.

Agora, o MST da G é literalmente dono do pedaço. Já está construindo no terreno, depois de invadi-lo por vários anos, uma escola técnica voltada para a mídia eletrônica. Os cursos, com 240 vagas por semestre, serão de multimídia e produção de áudio e vídeo. Instalada ao lado dos estúdios da Globo, a escola deverá ficar pronta em 2011.

É de se espantar. Não se tem notícia até hoje na cidade de São Paulo de uma doação de terreno de tais proporções (12 mil metros quadrados), numa área tão valorizada, para a iniciativa privada construir um curso técnico. Nem mesmo uma escola, uma faculdade ou até uma universidade. Resta ainda uma dúvida fundamental. O novo prédio do MST da G será utilizado só pelos alunos do curso técnico? Não há garantias.

Quem conhece a primeira edificação da Avenida Dr. Chucri Zaidan, ao lado da futura escola, sabe que tanto para atender o jornalismo, como as produções dos programas gravados em São Paulo, as instalações globais não são suficientes para abrigar o número de profissionais que ali trabalham. Sobra programa e gente, e o local não resiste a uma simples vistoria da Prefeitura.

Num voto de confiança, porém, vamos admitir que o Governo de São Paulo acreditou e o MST da G pretende mesmo destinar a nova construção apenas para cursos técnicos voltados ao público externo. Ainda assim, considerando o número de alunos e a duração dos cursos, a Globo despejará num mercado saturado quase 500 novos técnicos a cada dois anos. Ou seja: também não se justifica mais uma escola com tais características.

O argumento é simples. Num rápido percurso por São Paulo, da Cantareira, na Zona Norte, até Campo Limpo, na Zona Sul, passando pelo centro da Cidade e seguindo até a divisa de Osasco, na Zona Oeste, e Itaim Paulista, na Zona Leste, encontraremos mais de 20 faculdades de Comunicação, com ofertas de cursos de jornalismo, rádio e TV.

Se, por hipótese, cada uma dessas instituições de ensino formar 100 profissionais por ano, temos 2 mil novos técnicos a cada 12 meses no mesmo mercado disputadíssimo ao qual a Globo deseja entregar mais 500 profissionais a cada 24 meses, para justificar a posse de um nobre terreno que invadiu.

Essa Malhação é o mesmo que tirar o sofá da sala, segundo a velha anedota de uma grande Passione. O assunto devia render mais ti ti ti, mas em clima de zorra total o caso soa mais como piada do Louro José.