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domingo, 10 de outubro de 2010

ARTIGO “O MARQUETEIRO DE TIRIRICA” FOI UM SUCESSO NA INTERNET


O artigo que publiquei no AdNews sobre a votação do palhaço Tiririca repercutiu muito. O site, especializado em marketing e propaganda, ficou em segundo lugar no Google entre as notícias relacionadas e em quinto lugar de acesso a palavra Tiririca.

O jornalista responsável pelo AdNews, Marcelo Gripa, afirmou que o artigo “O marqueteiro de Tiririca” foi sucesso absoluto de audiência no site. Segundo o jornalista foi uma das notícias mais lidas da história do site, que já acumula 11 anos de vida.

Meu artigo também foi publicado em vários sites universitários e em dezenas de blogs.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O MARQUETEIRO DE TIRIRICA

Truque do Marqueteiro: Era para ser formal, ficou assim.

O candidato a deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR), o palhaço Tiririca, é o grande fenômeno das eleições de 2010 para a Câmara Federal como todos imaginávamos e como todas as pesquisas apontavam. Mas não há ilusões. Depois que deixar a TV Record, do bispo Edir Macedo, onde é funcionário, e assumir seu novo trabalho em Brasília, em 2011, infelizmente terá o mesmo fim dos outros candidatos caricatos que tiveram votações expressivas e sumiram nos corredores do Congresso Nacional.

Ainda assim, o caso não é desprezível. Verdade matemática é que Tiririca teve mais votos que o candidato a deputado federal de 1986, Luiz Inácio Lula da Silva, um recordista – na época -com 650 mil votos. Ressalta-se, no entanto, que o atual presidente Lula teve essa expressiva votação em 1986, quando o colégio eleitoral no Estado de São Paulo era bem menor do que é hoje.

A verdade histórica é que a votação de Tiririca este ano ultrapassou com sobra também a de Paulo Maluf, em 2006, quando foi eleito deputado federal com 739 mil votos, e Clodovil Hernandez, que no mesmo ano chegou a quase 500 mil votos. Em termos absolutos, Tiririca só perdeu para Enéas Carneiro, que assumiu a Câmara Federal em 2002, graças a 1,5 milhão de votos.

O Tiririca “político”, no entanto, tem um pai. Ele é a criatura. O criador desse fenômeno das urnas de 2010, que seduziu quase 1,5 milhão de eleitores, aquele que conseguiu dar existência e consistência a esse novo integrante do Congresso Nacional foi o marqueteiro Valdemar Costa Neto, um dos líderes nacionais do Partido da República (PR).

Político, mas também marqueteiro, Costa Neto é responsável pela criação do PR, fusão de parte do Partido Liberal (PL) – que tinha como um de seus líderes em São Paulo, Guilherme Afif Domingues -, com o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Prona), presidido por Enéas Carneiro.

Neste episódio histórico da votação de Tiririca, Costa Neto desfrutou de tanta autoridade e desempenhou um papel tão considerável, que merece destaque.  Sua atuação teve início no primeiro dia de gravação para o horário político do PR. Francisco Everardo Oliveira Silva chegou ao estúdio de terno e gravata. Valdemar não vacilou e simplesmente determinou: “Você é o Tiririca, pode mudar de roupa e vestir a de palhaço”. Foi decretada e certificada, ali e assim, a invenção do marqueteiro.

Sem comentar, aqui e agora, o papel e as atividades políticas de Valdemar Costa Neto, preferi analisar neste artigo o que ficará consagrado na política brasileira. A votação de Tiririca foi produto de marketing do Boy, como Valdemar é conhecido na Cidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Conhecendo como ninguém as necessidades do consumidor, Boy adaptou o produto ao mercado.

Acredito e identifico que esse fenômeno Tiririca só pode ser encarado como fruto de um momento certo. Ou seja: uma jogada de oportunidade, utilizando um pequeno espaço de tempo, um instante ou um ponto no tempo, cedido pelo horário eleitoral. Foi o suficiente. “Pior que está não fica” foi a frase que sintetizou melhor a idéia de momento dos eleitores em relação aos nossos deputados federais.

Tiririca 2010 lembra o momento em que os eleitores deram 95 mil votos ao rinoceronte Cacareco, candidato a vereador em São Paulo, em 1959. Ou a eleição em que 400 mil cariocas, três décadas depois, escolheram o macaco Tião para prefeito do Rio de Janeiro, transformando-o, segundo o livro Guinness dos Recordes, no chimpanzé mais votado no mundo. Neste quadro, outro “cacareco simbólico” foi a figura de “Meu nome” é Enéas em 2002.

O interesse pelo palhaço Tiririca foi tanto que, a partir do início do horário político na televisão, seu nome foi um dos mais procurados na internet. Cacareco, Macaco Tião, Enéas e Tiririca representam o protesto, mas também a face divertida e moleca da política brasileira.

Mas, no jargão da política, só Tiririca poderá ser identificado no bloco dos candidatos biombos. Só ele esconde – sob sua lona - quem serão os outros deputados que irão pegar carona nessa avalanche de votos que foram confiados a esse palhaço.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Careca perdeu para o Topete

Disso ninguém jamais duvidou: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o principal eleitor das eleições presidenciais de 3 de Outubro de 2010. Outra certeza era de que o candidato à sucessão de Lula seria José Dirceu.  O escolhido não foi José Dirceu. Do mesmo modo que sabíamos que seria ele, sabemos por que não foi.

Sem obstáculos e sem nenhum pedágio - uma das principais características dos governos administrados por tucanos - abriu-se uma enorme estrada a caminho de Brasília para o candidato José Serra. A via expressa era tão generosa quanto à operação descida e subida do Sistema Anchieta-Imigrantes, nos feriados prolongados. Oito pistas a favor versus apenas duas contrárias.

As asas tucanas bateram freneticamente. Mas com o bico grande e oco, tão fraco que o tamanho é desproporcional a qualidade, os tucanos não aproveitaram o momento e caminham agora para a extinção. Como a ararinha azul.

Na Wikipédia, a extinção do tucano está relacionada ao tráfico de aves. Isto tem como conseqüência a diminuição de seus semelhantes, o risco da variabilidade genética e, por fim, o seu desaparecimento.

Na política brasileira, José Serra é o maior exemplo de extinção. Nunca mais se ouvirá falar dele. Feliz ou infelizmente. A sua arrogância e a sua prepotência, o temperamento despótico e opressor, a irritabilidade, com a perda de paciência a qualquer senão e a sua postura de um homem de caráter provisório, o levam a uma das maiores derrotas já registradas nas eleições presidenciais.

O seu topete, embora careca, já o derrotou. Como ave (tucano que é) suas penas alongadas na cabeça vedaram seus olhos e  nunca o deixaram enxergar nada. Mais pavão do que tucano, pretensioso e atrevido só destruiu alianças. Nunca foi aceito pelos mineiros liderados por Aécio Neves. A ousadia de Serra rompeu relações com o PTB nacional de Roberto Jeferson, embora em território paulista a aliança tucana de Geraldo Alckimin e do petebista Campos Machado jamais tenha sido abalada.

Foi criticado publicamente por Jeferson, no Twitter, pelo seu posicionamento contra o candidato petebista ao governo de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Além de outras posições que tomou sem moral e sem honestidade contra o PTB, seu aliado nacional. Serra aceitou o apoio do partido, ocupou o horário gratuido dos trabalhistas, mas não queria chegar nem perto de suas principais lideranças.

Mas Serra fez mais. Escondeu de sua campanha, o tempo todo, um dos maiores líderes dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se FHC ajudaria ou não na disputa presidencial, eis algo difícil de se prever. Porém, se o candidato não recorreu a ele a dúvida persistirá para sempre. O fato é que, também, essa decisão cabe apenas ao candidato, ao seu partido e talvez ao marqueteiro responsável pelas peças publicitárias. No ninho do PSDB, quem manda é o tucano.

Então por que Serra foi criticado por ter colocado fora desse ninho o tucano FHC? Algo existe. De tal modo que a censura a posição de Serra foi feita por tucanos de altas e belas plumagens. Até publicamente. As reprovações a Serra partiram até mesmo de algumas cabeças coroadas do reduto tucano como um líder do partido, o deputado federal José Anibal, candidato à reeleição e coordenador da campanha de Geraldo Alckmin.

A verdade é que FHC virou tiririca na campanha de Serra, mas não o candidato do PR, Francisco Everardo Oliveira Silva (o humorista Tiririca), mas um incômodo, um estorvo. FHC entra na história como um grave pecado a ser varrido para baixo do tapete. Algo parecido com “aquilo que não queremos que ninguém saiba que iremos fazer ou que estamos próximos de fazê-lo”.

Serra está na UTI política. Ainda tenta sobreviver, reanimado como uma pessoa desfalecida, com as denúncias de irregulariades publicadas pela imprensa tradicional e engajada em sua candidatura, mas - como tucano que é - tem uma disgestão curta que acaba não refletindo nos índices eleitorais que deseja.

A partir de hoje, Serra já deve estar conformado com a derrota. Só falta desligar os tubos que lhe alimentam com um restinho de gás. No começo da campanha perdeu para o seu topete. No decorrer da disputa foi perdendo, dia a dia, para o grande eleitor nacional, Luiz Inácio Lula da Silva. E no dia 3 de Outubro de 2010, perderá nas urnas para Dilma Rousseff.