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terça-feira, 16 de novembro de 2010

ATENÇÃO MAGISTRADOS BRASILEIROS

Gervásio Santos
Mozart Valadares
Para todos os magistrados, que estão acessando o meu blog depois da divulgação feita pelo candidato Gervásio Santos, apenas uma pequena observação. Reitero tudo o que escrevi na minha intromissão nesta eleição de uma entidade que representa não a Magistratura brasileira, mas toda a nossa sociedade.

No artigo que publiquei no final de semana, comparando as duas candidaturas à presidência da AMB, refiro-me a Gervásio Santos como um ator coadjuvante da Rede Globo e a Nelson Calandra como um grande Magistrado sempre interessado em falar e defender o interesse de seus semelhantes.

Critiquei como todos podem ver no artigo abaixo, a postura do atual presidente da AMB, Mozart Valadares e de seu candidato Gervásio Santos. Tanto Valadares como Gervásio jogam para a platéia e não para os Magistrados. Essa é minha opinião, gostem ou não gostem. Problema dos dois, Valadares e Gervásio.

Mozart Valadares criticou publicamente todos os integrantes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) no jornal Folha de S.Paulo e no site Consultor Jurídico e depois saiu pedindo desculpa particular. Foi ele quem fez isso, não eu. Quem se comporta assim em minha opinião é uma pessoa sem moral, infame e velhaca.

Foi isso que escrevi e ainda acrescentei: Mozart Valadares é um ator e  quer eleger um coadjuvante de menor importância ainda, apresentado como Gervásio Santos. Cabe aos senhores juizes e desembargadores saberem o que é melhor para a categoria. Ou vote num ator de segundo escalão da Rede Globo ou num magistrado de respeito. A escolha é dos senhores. E as conseqüências também.

Doeu-se, Gervásio? Minhas desculpas. Mas você merece ler e ouvir isso.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Careca perdeu para o Topete

Disso ninguém jamais duvidou: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o principal eleitor das eleições presidenciais de 3 de Outubro de 2010. Outra certeza era de que o candidato à sucessão de Lula seria José Dirceu.  O escolhido não foi José Dirceu. Do mesmo modo que sabíamos que seria ele, sabemos por que não foi.

Sem obstáculos e sem nenhum pedágio - uma das principais características dos governos administrados por tucanos - abriu-se uma enorme estrada a caminho de Brasília para o candidato José Serra. A via expressa era tão generosa quanto à operação descida e subida do Sistema Anchieta-Imigrantes, nos feriados prolongados. Oito pistas a favor versus apenas duas contrárias.

As asas tucanas bateram freneticamente. Mas com o bico grande e oco, tão fraco que o tamanho é desproporcional a qualidade, os tucanos não aproveitaram o momento e caminham agora para a extinção. Como a ararinha azul.

Na Wikipédia, a extinção do tucano está relacionada ao tráfico de aves. Isto tem como conseqüência a diminuição de seus semelhantes, o risco da variabilidade genética e, por fim, o seu desaparecimento.

Na política brasileira, José Serra é o maior exemplo de extinção. Nunca mais se ouvirá falar dele. Feliz ou infelizmente. A sua arrogância e a sua prepotência, o temperamento despótico e opressor, a irritabilidade, com a perda de paciência a qualquer senão e a sua postura de um homem de caráter provisório, o levam a uma das maiores derrotas já registradas nas eleições presidenciais.

O seu topete, embora careca, já o derrotou. Como ave (tucano que é) suas penas alongadas na cabeça vedaram seus olhos e  nunca o deixaram enxergar nada. Mais pavão do que tucano, pretensioso e atrevido só destruiu alianças. Nunca foi aceito pelos mineiros liderados por Aécio Neves. A ousadia de Serra rompeu relações com o PTB nacional de Roberto Jeferson, embora em território paulista a aliança tucana de Geraldo Alckimin e do petebista Campos Machado jamais tenha sido abalada.

Foi criticado publicamente por Jeferson, no Twitter, pelo seu posicionamento contra o candidato petebista ao governo de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Além de outras posições que tomou sem moral e sem honestidade contra o PTB, seu aliado nacional. Serra aceitou o apoio do partido, ocupou o horário gratuido dos trabalhistas, mas não queria chegar nem perto de suas principais lideranças.

Mas Serra fez mais. Escondeu de sua campanha, o tempo todo, um dos maiores líderes dos tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se FHC ajudaria ou não na disputa presidencial, eis algo difícil de se prever. Porém, se o candidato não recorreu a ele a dúvida persistirá para sempre. O fato é que, também, essa decisão cabe apenas ao candidato, ao seu partido e talvez ao marqueteiro responsável pelas peças publicitárias. No ninho do PSDB, quem manda é o tucano.

Então por que Serra foi criticado por ter colocado fora desse ninho o tucano FHC? Algo existe. De tal modo que a censura a posição de Serra foi feita por tucanos de altas e belas plumagens. Até publicamente. As reprovações a Serra partiram até mesmo de algumas cabeças coroadas do reduto tucano como um líder do partido, o deputado federal José Anibal, candidato à reeleição e coordenador da campanha de Geraldo Alckmin.

A verdade é que FHC virou tiririca na campanha de Serra, mas não o candidato do PR, Francisco Everardo Oliveira Silva (o humorista Tiririca), mas um incômodo, um estorvo. FHC entra na história como um grave pecado a ser varrido para baixo do tapete. Algo parecido com “aquilo que não queremos que ninguém saiba que iremos fazer ou que estamos próximos de fazê-lo”.

Serra está na UTI política. Ainda tenta sobreviver, reanimado como uma pessoa desfalecida, com as denúncias de irregulariades publicadas pela imprensa tradicional e engajada em sua candidatura, mas - como tucano que é - tem uma disgestão curta que acaba não refletindo nos índices eleitorais que deseja.

A partir de hoje, Serra já deve estar conformado com a derrota. Só falta desligar os tubos que lhe alimentam com um restinho de gás. No começo da campanha perdeu para o seu topete. No decorrer da disputa foi perdendo, dia a dia, para o grande eleitor nacional, Luiz Inácio Lula da Silva. E no dia 3 de Outubro de 2010, perderá nas urnas para Dilma Rousseff.